sábado, 27 de outubro de 2012

Sou invisivel


 
Na rua passo sem dizer nada,
Olhando, curiosamente, em redor,
Pensando no sentido da vida,
da morte, da alegria e da dor.

Cruzo os olhos sobre os pares,
Que se encontram a namorar,
Reparo nas suas atitudes,
Na realidade do que é amar,
Não tenho medo de ver,
Porque eu sou invisível!

Olho os grupos de amigos,
Que juntos estão a rir,
Nas suas brincadeiras e segredos,
Que só entre si irão partilhar,
E não tenho medo de observar,
Porque eu sou invisível!

Vejo pessoas que estão a brigar,
Pela diferençaque existe entre si,
Por não serem capazes de aceitar,
Que é possível conviver assim,
E eu não tenho medo de olhar,
Porque eu sou invisível!

Pouso olhar sobre pais e filhos,
A ternura e cumplicidade que têm,
Compreendo o brilho de seus olhos,
Pois esse amor é o melhor que se tem,
E eu não tenho medo de fitar,
Porque eu sou invisível!

E continuo caminhando e fitando,
Tudo o que a rua me tenta transmitir,
Tentando perceber o que faz sentido,
Naquilo a que chamam de vida,
E eu não tenho medo de seguir,
Porque eu sou invisível!

Sou invisível aos olhos de quem passa,
Sou invisível aos olhos de quem não me conhece,
São invisível aos olhos de quem não me merece,
Sou invisível aos olhos de muita gente!

Ser invisível torna-me triste?
Por vezes sim, por vezes não,
Porque tudo o que existe,
Cabe na palma de uma mão,
A mão de quem persiste,
E não nos deixa cair no abismo,
No abismo da solidão.

E não tenho medo de escrever,
Nem dizer o que estou a sentir,
Porque a escrever aprendi a viver,
E a vida me ensinou a seguir…
…Mesmo sendo invisível!

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